(41) 99193-1264
  • Português
  • English
  • Español
  • #DicasTeletex

    Cibersegurança

    Por que o Brasil está no radar dos ciberataques e como reduzir a exposição?

    Terceiro lugar num ranking de vítimas de ciberataque costuma ser lido como atestado de que as empresas de um país se protegem mal. O relatório que colocou o Brasil nessa posição sustenta uma leitura diferente. Entre outubro de 2025 e março de 2026, o levantamento da Trellix registrou o país com 3,45% das vítimas reportadas no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. Esse recorte reúne eventos tornados públicos pela indústria de segurança, uma base que depende de quem decide reportar. No topo da lista estão economias grandes, digitalizadas e com muita infraestrutura crítica conectada, e o Brasil cabe nessa descrição há anos.

    Lido com a metodologia ao lado, o número indica onde a pressão dos atacantes cresce. Para o CISO e para o gerente de TI, ele devolve uma pergunta sobre a própria casa: a capacidade da empresa de detectar e responder evoluiu no mesmo ritmo das ameaças que chegam até ela?

    O Brasil está no radar dos ciberataques porque reúne uma economia grande e digitalizada, um sistema de pagamento instantâneo com bilhões de transações por ano e serviços essenciais conectados. Muitas empresas ainda somam sistemas legados a ambientes híbridos. Dentro da empresa, a exposição se mede pela capacidade de enxergar o próprio ambiente e responder antes de o incidente se espalhar.

    O que os relatórios de ameaças dizem sobre o Brasil?

    Relatórios de ameaças medem coisas diferentes, e o lugar do Brasil muda conforme o que se conta. No CyberThreat Report de abril de 2026, da Trellix, a lista de vítimas reportadas começa pelos Estados Unidos, com 6,80%, e pela Índia, com 5,27%. O Brasil aparece logo depois, com 3,45%, à frente de Canadá, Rússia e Japão.

    Segundo a própria Trellix, essa tabela sai de eventos divulgados publicamente pela indústria e não se baseia necessariamente nas detecções dos produtos da empresa, o que faz o percentual depender de quem reporta e de como reporta. Na telemetria própria de APTs, os grupos de ameaça persistente avançada, o topo fica com Estados Unidos e Turquia, que somam 31,7% e 27,7% das detecções.

    Na mesma edição, o Brasil aparece em seis campanhas de ransomware documentadas no período, a maior presença da América Latina. Nos sites onde grupos de extorsão publicam suas vítimas, o país soma 46 registros e ocupa a décima posição. Governo voltou ao topo dos setores mais citados nos reportes da indústria, seguido por finanças. Entre os setores atribuídos aos APTs, as telecomunicações concentraram 47% da atividade, com foco em espionagem e em coleta de dados de assinantes.

    Do lado brasileiro, o CERT.br recebeu 470.885 notificações de incidentes em 2025, contra 516.556 em 2024 e 621.537 em 2023. A notificação é voluntária e retrata só as redes que decidiram reportar, o que faz da série um termômetro de tendência, com cobertura parcial. Varreduras em busca de serviços expostos responderam por 83,66% do volume de 2025. Das 24.030 notificações classificadas como fraude, 22.818 eram phishing, ou 94,96% da categoria.

    Entre janeiro e agosto de 2026, o centro já somava 431.524 notificações, com julho e agosto acima de 77 mil, os dois meses mais altos do ano. Juntos, os dois retratos mostram um volume alto de tentativas contra alvos brasileiros e o engano do usuário como porta mais usada. Ransomware e espionagem, por sua vez, se concentram em empresas grandes e em serviços essenciais.

    Por que o Brasil continua sendo um alvo relevante para ciberataques?

    Digitalização acelerada, concentração de dados, serviços essenciais conectados e ambientes híbridos com nuvem, Data Center próprio e sistemas antigos explicam juntos a exposição do país. Segundo o Relatório de Gestão do Pix 2026, do Banco Central, o arranjo processou 79,8 bilhões de transações em 2025 e movimentou mais de R$ 35 trilhões.

    Dos 240,8 bilhões de transações bancárias de 2025 contabilizadas pela Febraban, 83% aconteceram em canais digitais e 78% no celular. Um país que resolve quase tudo pelo aparelho móvel abre ao atacante um caminho direto até a pessoa. O phishing que domina as notificações do CERT.br é a versão brasileira dessa oportunidade. Como o Pix funciona de madrugada, no fim de semana e no feriado, a superfície exposta fica aberta o tempo todo.

    Setores estratégicos recebem atenção proporcional ao que sustentam, e no cenário global da Trellix as telecomunicações lideram a atividade de APTs. No Brasil, o setor opera sob o Regulamento de Segurança Cibernética da Anatel, a Resolução nº 740/2020, ampliada pela Resolução nº 767/2024. A norma obriga as prestadoras a manter política de segurança cibernética, notificar incidentes relevantes e exigir política compatível dos fornecedores. Entre bancos e instituições de pagamento, a nova regulação de cibersegurança no setor financeiro caminha na mesma direção. Em energia, saúde e governo o raciocínio se repete, porque a interrupção de qualquer um deles vira problema público em poucas horas.

    No mesmo relatório da Trellix, o tempo médio entre a divulgação de uma falha e o primeiro ataque que a explora aparece em queda acelerada. Eram 23,2 dias em 2025, e o intervalo caiu para 1,3 dia no primeiro trimestre de 2026. Nesse trimestre, 69,7% das vulnerabilidades exploradas eram zero-days, atacadas no dia da divulgação ou antes dele. Para uma empresa com ciclo mensal de correção, boa parte das brechas exploradas já estava em uso quando o boletim de atualização chegou.

    Economia grande e concentração de dados tornam o país atraente para perfis diferentes de atacante ao mesmo tempo. Do grupo de ransomware que procura empresa grande ao operador de golpe que explora o Pix, os interesses se sobrepõem e mantêm o Brasil no radar.

    Quais gaps de segurança aumentam a exposição das empresas?

    Incidentes raramente dependem de uma falha só, e a sequência típica encadeia credencial comprometida, configuração inadequada, sistema sem atualização e rede sem segmentação, até chegar a um comportamento anormal que ninguém viu a tempo. No Data Breach Investigations Report 2026, da Verizon, a exploração de vulnerabilidade em software passou a abrir 31% das violações.

    Pela primeira vez em 19 anos de relatório, essa porta de entrada superou o roubo de credenciais. As violações com participação de terceiros chegaram a 48% do total, alta de 60% em um ano, o que coloca fornecedor e prestador de serviço dentro da superfície de ataque.

    Depois da entrada, a Trellix encontrou o uso de contas legítimas em 32% das campanhas de ransomware documentadas, a mesma proporção da exploração de aplicações expostas na internet. Uma única ferramenta legítima de acesso remoto apareceu em 16 dessas campanhas. Atacante que se move com a conta certa e a ferramenta certa se confunde com a rotina do time de TI, e por isso o alerta isolado raramente basta para reconhecê-lo.

    Segundo o Cost of a Data Breach 2026, da IBM, uma violação custou em média US$ 4,99 milhões no mundo. Uma em cada quatro violações maliciosas já envolveu inteligência artificial do lado do ataque, com custo médio de US$ 6 milhões. Identificar e conter um incidente ativo leva 247 dias na média de todos os setores. No Brasil, a edição de 2025 do mesmo estudo calculou R$ 7,19 milhões por violação, 6,5% acima do ano anterior. Saúde, finanças e serviços ocuparam as três primeiras posições, e o phishing foi o vetor inicial de 18% dos casos.

    GapComo aparece na operaçãoO que ele custa
    Ausência de visão integrada do ambienteInventário de ativos desatualizado, nuvem e Data Center monitorados por equipes diferentesAtivo crítico sem dono e sem log, descoberto durante o incidente
    Excesso de ferramentas sem contexto compartilhadoFirewall, EDR, IAM e SIEM, todos com console e fila de alertas própriosCorrelação feita à mão, depois do dano
    Monitoramento sem capacidade de respostaPainel que acusa, e ninguém com mandato para isolar a máquina às 3h da madrugadaJanela entre alerta e contenção medida em dias
    Vulnerabilidades e ativos legadosSistema que sustenta o negócio, não aceita atualização e fica exposto por dependênciaExploração de falha conhecida, hoje o vetor mais comum
    Gestão inadequada de identidades e privilégiosConta administrativa compartilhada, MFA parcial, acesso de ex-colaborador ainda ativoCredencial válida usada como chave-mestra
    Equipes sobrecarregadas por volume de alertasMilhares de eventos por dia para dois analistas, triagem por ordem de chegadaAlerta relevante enterrado no ruído

    Maturidade em segurança se mede pela capacidade de transformar dado, alerta e evento em decisão e ação, mais do que pela quantidade de ferramentas contratadas. O sinal que denuncia o ataque costuma morar na relação entre eventos de camadas diferentes, e ler essa relação exige identidade, endpoint, rede e nuvem trocando contexto. Enxergar o ambiente inteiro é o tema do post sobre visibilidade contínua na cibersegurança.

    Como saber se a postura de segurança da empresa é madura?

    Avaliação de maturidade em cibersegurança é o exercício de medir, com critério declarado, o quanto a organização consegue governar risco, identificar ativos, proteger, detectar, responder e recuperar. Com esse retrato em mãos, a direção decide onde o próximo real deve entrar.

    Publicado em 26 de fevereiro de 2024, o NIST Cybersecurity Framework 2.0 organiza exatamente essas seis funções. O documento também descreve quatro níveis de prática, de Parcial a Adaptativo, numa progressão que vai da resposta informal e improvisada até a gestão de risco ágil e contínua.

    Nível do NIST CSF 2.0O que descreveSinal prático
    ParcialGestão de risco informal e reativa, sem prioridade definida pela organizaçãoSegurança acionada pelo incidente e pelo fornecedor
    Informado pelo riscoPrioridades aprovadas pela direção, com aplicação ainda desigual entre as áreasA política existe, e parte do ambiente não a segue
    RepetívelPráticas formalizadas em política, revisadas e aplicadas em toda a organizaçãoProcesso de resposta testado, com papéis definidos
    AdaptativoMelhoria contínua a partir de lições aprendidas e de indicadores preditivosControle ajustado antes do incidente, com base em telemetria

    As perguntas abaixo dispensam glossário, e a resposta da direção a elas indica em que nível do NIST a empresa está.

    • Ativos críticos: a organização sabe quais sistemas param o negócio se caírem, quem responde por eles e se todos enviam log para algum lugar?
    • Detecção: um comportamento anormal, como um acesso administrativo de madrugada a partir de um país onde a empresa não opera, é identificado em minutos ou descoberto pelo cliente?
    • Resposta: existe processo escrito, testado no último ano, com quem decide isolar, quem comunica e quem registra?
    • Integração: as ferramentas de identidade, endpoint, rede e nuvem trocam contexto entre si, ou o alerta nasce e morre no próprio console?
    • Continuidade: alguém olha o ambiente às três da manhã de domingo com mandato para agir, ou o alerta espera a segunda-feira?

    Vista assim, maturidade é uma capacidade operacional que precisa se sustentar ao longo do tempo. O nível medido hoje envelhece na velocidade em que a empresa abre filial, troca de ERP, migra carga para a nuvem ou contrata um parceiro com acesso à rede. Por isso, avaliação séria vem com data e com plano de reavaliação.

    Por que monitorar não basta para reduzir a exposição?

    Receber o alerta é o começo da operação de segurança, e o tempo entre alerta e contenção pesa nos 247 dias que uma violação leva, em média, para ser identificada e contida. Um login fora do horário parece pouco quando visto sozinho.

    Seguido de uma consulta ao diretório, de uma cópia de arquivos para um serviço de nuvem desconhecido e de uma conexão para um domínio recém-registrado, o mesmo login descreve uma intrusão em andamento. Só que os quatro eventos moram em ferramentas diferentes, e a correlação precisa acontecer enquanto a sessão ainda está aberta.

    Serviços gerenciados de segurança, os MSS, existem para sustentar essa rotina com equipe especializada e processo de tratamento definido, de dia e de madrugada, sem depender do tamanho do time interno. O SOC 24×7 faz a detecção, a análise e a mitigação com equipe dedicada e análise comportamental de usuários. A camada de SOC Analytics correlaciona essas informações e prioriza os riscos, para que o analista receba o alerta com o contexto que decide a resposta.

    Métricas, logs e traces de aplicação e infraestrutura chegam a essa correlação pela observabilidade do ambiente. Quanto mais cedo esse contexto chega, menores ficam o tempo médio de identificação, o MTTI, e o de resposta, o MTTR.

    Tratar a ameaça é o que separa monitoramento de proteção, e muitas operações encerram o trabalho em identificar e analisar. A etapa seguinte isola o host, revoga a credencial, bloqueia o domínio e acompanha o ambiente até a normalização. Nela o alerta vira proteção efetiva, e a Teletex assume essa etapa dentro do MSS, sem devolver o incidente para a equipe do cliente resolver sozinha no meio da noite.

    Como construir uma postura de segurança mais preventiva?

    Reduzir exposição é trabalho de evolução contínua, com prioridades definidas pelos riscos reais da operação, e a sequência começa pela avaliação e termina na revisão do próprio plano, que recomeça o ciclo com o ambiente já mudado.

    1. Passo 1, avaliação de maturidade: medir o nível atual com critério declarado, como o do NIST CSF 2.0 ou uma metodologia de risk assessment, e sair com a lista dos ativos críticos, todos com dono, log e classificação.
    2. Passo 2, prioridade pelo risco real: ordenar as correções pelo que expõe o negócio, com a vulnerabilidade explorável em ativo exposto na frente da falha teórica em sistema isolado.
    3. Passo 3, visibilidade e integração: levar o log de identidade, rede, endpoint e nuvem para o mesmo lugar, com identificadores que permitam ligar um evento ao outro.
    4. Passo 4, identidade e segmentação: MFA em todo acesso administrativo, privilégio mínimo, revisão periódica de contas e segmentação que impeça o movimento lateral com uma credencial só.
    5. Passo 5, operação 24×7 com resposta: monitoramento contínuo com mandato de agir, playbook escrito e testado, e tratamento da ameaça dentro do mesmo serviço.
    6. Passo 6, revisão: reavaliar a maturidade em ciclo, medir MTTI e MTTR e ajustar os controles conforme o ambiente muda.

    A meta realista dessas etapas é reduzir a superfície exposta, identificar a ameaça mais cedo e limitar o impacto quando o incidente acontece, o que se pode chamar de menor risco possível.

    No setor bancário, a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 projeta R$ 50,4 bilhões de orçamento em tecnologia para este ano. Todos os 25 bancos consultados atribuem prioridade alta ou média à cibersegurança. A IBM, no estudo de 2026, mediu que empresas com IA e automação na operação de segurança reduziram o custo da violação em quase US$ 2 milhões. Pelo dado da IBM, o orçamento rende na capacidade de detectar e responder, que é o caminho da segurança preditiva com IA.

    Numa avaliação de maturidade, um achado típico é o ativo crítico que ninguém monitora. Pode ser o servidor de arquivos de uma filial, que sustenta a operação local e nunca enviou um log ao SIEM. Começar por ele, com dono, coleta de log e regra de alerta, tira do escuro um sistema que sustenta a operação da filial.

    Perguntas frequentes

    Por que o Brasil é um dos países mais atacados por hackers?

    Porque reúne uma economia grande e digitalizada, um sistema de pagamento instantâneo com 79,8 bilhões de transações por ano, serviços essenciais conectados e muitas empresas com ambientes híbridos e sistemas legados. Esse conjunto atrai perfis diferentes de atacante ao mesmo tempo, do grupo de ransomware que procura empresa grande ao operador de golpe que explora o Pix.

    Qual país sofre mais ataques cibernéticos no mundo?

    Depende do relatório e do que ele mede. No levantamento da Trellix sobre vítimas reportadas entre outubro de 2025 e março de 2026, os Estados Unidos lideram com 6,80%, seguidos pela Índia, com 5,27%, e pelo Brasil, com 3,45%. Em detecções de APT, a mesma edição coloca Estados Unidos e Turquia no topo, com 31,7% e 27,7%.

    Quais são os ataques cibernéticos mais comuns no Brasil?

    Pelas notificações ao CERT.br em 2025, varreduras em busca de serviços expostos responderam por 83,66% dos incidentes, e o phishing por 94,96% das fraudes reportadas. Entre as campanhas de ransomware documentadas pela Trellix no mundo, o uso de credencial válida e a exploração de aplicação exposta na internet aparecem em 32% dos casos, na mesma proporção.

    O que é maturidade em cibersegurança?

    É o grau em que a organização consegue governar risco, identificar ativos, proteger, detectar, responder e recuperar de forma consistente e verificável. O NIST Cybersecurity Framework 2.0 descreve quatro níveis, de Parcial a Adaptativo, e a avaliação de maturidade mede em qual deles a empresa está antes de decidir onde investir.

    Quanto custa um ataque cibernético para uma empresa?

    No Brasil, a IBM calculou um custo médio de R$ 7,19 milhões por violação de dados na edição de 2025 do estudo Cost of a Data Breach, com saúde e finanças acima de R$ 8,9 milhões. No mundo, a edição de 2026 registrou US$ 4,99 milhões de média e 247 dias para identificar e conter um incidente ativo.

    Leia também:

    Teletex: da avaliação de maturidade à proteção contínua

    A posição do Brasil nos levantamentos de ameaças é sinal para tratar cibersegurança como capacidade permanente do negócio, com o cuidado que se dá ao caixa, porque atrás de todo ambiente exposto existem pessoas e histórias que dependem de ele continuar de pé.

    A Teletex acompanha essa evolução desde a avaliação de maturidade do ambiente, com a metodologia SafeX de risk assessment, até a operação contínua da segurança, com MSS, SOC 24×7 e SOC Analytics para ampliar a visibilidade, correlacionar informações, priorizar riscos e tratar ameaças.

    Sua empresa sabe qual é o nível real de maturidade da própria segurança? Converse com os especialistas da Teletex para identificar gaps, priorizar riscos e evoluir para uma estratégia de proteção contínua.